quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quadrinhos mais velhos...

Cara, cada vez mais me dou conta de como estou ficando velho... Os filmes que eu via quando criança agora estão na sessão de "mofados" nas lojas e os brinquedos que eu tinha hoje são vendidos no Mercado Livre como relíquias. Mas torno sempre a lembrar desses bons tempos tão inocentes, nos quais a vida se resumia a estudar no colégio e de tarde brincar de Playmobil depois de assistir aos episódios do Jaspion e Changeman.

Eu já havia comentado aqui em um post passado de uma série de desenhos e brinquedos da minha época de infância que estão voltando hoje, relatando como algumas dessas reedições se mostravam descaracterizadas e sem-graça na sua maioria, apesar de poucas exceções bem feitas. E isso viria a atingir também as revistas em quadrinhos recentemente, com duas turminhas lá do passado voltando às bancas, nas mãos de criativos desenhistas e roteiristas brasileiros: primeiro foi a Turma da Mônica, e agora está para serem relançadas as aventuras da Luluzinha e seus amigos. Porém, com um diferencial: em vez de apenas trazer de volta esses personagens dos quadrinhos, eles sofreram um pouco da ação do tempo e retornam agora não mais como crianças, mas sim como adolescentes!

Os pioneiros nessa linha foram os personagens de Maurício de Souza, com a Turma da Mônica Jovem. Quando criança, eu até lia as histórias deles, com a Mônica e seu coelho de pelúcia, o Cebolinha trocando Rs por Ls, a Magali sempre comendo e o Cascão sem tomar banho. Além dos personagens principais, haviam também outros que possuíam as suas próprias histórias, muitas vezes mais curiosas e bem-boladas: tinha a turma do caipira Chico Bento, o homem das cavernas Piteco, o índiozinho Papa-Capim, entre outros. Destaque para uma série de personagens muito curiosos, como o cachorro Floquinho, que mais parecia um pé de alface, o Tarugo que era uma tartaruga cujo casco era um carro, e o Cranicola, uma caveira que vivia no cemitério. Inclusive, se quiser saber mais sobre o vasto elenco, esse site é legal, uma referência que usei para escrever agora.


Já naquela época, haviam os personagens voltados para o público mais adolescente, liderados pela Tina, que era a típica garota descolada e inteligente, e seus amigos Pipa, uma gordinha chorona, e o curioso Rolo, desastrado e azarado, com o peculiar cabelo que dava uma volta por sua cabeça. E mesmo antigamente, já haviam vezes que se imaginava como que os quatro protagonistas seriam quando crescessem, como nesses quadrinhos abaixo (embora eu imagine que sejam não sejam obra original dos autores).

Enfim, decidiram por inventar agora essa nova série, que traz um estilo mais parecido com o mangá japonês, porém ainda mantendo um pouco das características físicas do desenho original. Mas os quadrinhos acabaram passando por uma "politização correta" e com isso alguns detalhes foram alterados: por exemplo, o Cascão agora toma banho de vez em quando e a Magali agora faz dieta! E as loucuras não param por aí, pelo que vi nessas novas histórias têm outras bizarrices como temas de fantasia inspirados em Senhor dos Anéis e lutas com robôs gigantes. E para finalizar, toda uma espectativa sobre o primeiro beijo entre Mônica e Cebola (sim, ele perdeu o diminutivo, além de não trocar mais as letras).

E aparentemente não vai parar por aí. Outros personagens de minha infância vão voltar às bancas na idade adolescente e estilo mangá... Você ainda se lembra da Luluzinha e sua turma? Eram quadrinhos que eu gostava mais do que os da Mônica, com histórias muito engraçadas envolvendo também o Bolinha e seus amigos. Em especial me lembro duma história que tinham um pequenos homenzinhos do espaço que eram confundidos com brinquedos. Além dos dois personagens principais, haviam também os irmãos Aninha e Carequinha, os ricos Plínio e Glória, o pentelho do Alvinho e os garotos da Zona Norte que sempre brigavam com Bolinha e seus amigos. Hilárias eram também as histórias onde o Bolinha bancava o detetive, com o nome de Aranha.

Em Lulu Teen, novamente as crianças ficam mais velhas, para atrair a garotada de hoje. Embora é engraçado pois ninguém se atentou para o fato de que a Luluzinha e seus amigos eram originalmente da década de 30... Outra curiosidade é que essa é uma iniciativa de brasileiros, em nada tem a ver com os produtores originais, e usa e abusa do recursos multimídi atuais: por exemplo, todos os personagens possuem suas páginas no Twitter, e a Luluzinha tem um perfil no Orkut.

Por enquanto, só cinco personagens, contando com a protagonista estão de volta, sacanagem com o Carequinha, um dos mais engraçados que ficou de fora. Mas nesse caso, fugindo e muito das características originais. O Alvinho virou um moleque-problema, só pensando em surfar e grafite, a Glória se tornou ainda mais patricinha e a Aninha virou uma fissurada em games e tecnologia. Mas o pior foi com o Bolinha, ou melhor, Bola: ele ficou magro! Cacetada, isso pra mim cheira a preconceito... Sem dúvida nas próximas edições os criadores vão querer criar um clima de romance entre Lulu e Bola, e seguindo todos os padrões da sociedade jamais seria aceitável que a protagonista ficasse com um gordinho...

Fico imaginando quem será o próximo...

2 comentários:

O mundo é dos estranhos disse...

Cara, eu aina não li Luluzinha Teen (mesmo porque dela eu só via os desenhos), mas já comprei umas três edições da Turma da Mônica Jovem e pelo menos as que comprei, era realmente legais, (sim, acompanhei turma da Mõnica desde pequeno, tinha umas montanhas de revistas do Cebolinha e Cascão, etc.). A primeira história era de um Café de gatos, ou algo assim, não lembro o nome, mas era um café onde os clientes podem brincar com gatos, tem muito disso no Japão, a Magali tentou administrar um café desses com os atuais 10 filhos o Mingáu. A segunda foi uma em que o Cebolinha quis ir sozinho fazer montanhismo e se deu mal, a história mostra como o pai ele também sabia das coisas e até compreendia o filho no final das contas (não me lembro se é nessa ou na próxima história que ele mostra que em momentos de nervosismo, ele volta a falar errado). A terceira foi daquele famoso beijo entre a Mônica e o Cebolinha.

Posso dizer que não é a mesma coisa de antes, é meio diferente, mas dá sim um certo ar de nostalgia, mas só comprei essas até agora, já vi títulos com super heróis, o Capitão Feio bonito e o Cascão olhando desconfiado pra ele e até achei uma produção totalmente diferente da Turma da Mônica Jovem de do clássico, uma aventura do Astronauta, mas com foco em um drama e filosofias,um monte de coisas que só li na capa e devolvi pra banca. No mais, só posso dizer que tô gostando dessa Turma da Mônica jovem aí, publicação que aliá não exclui o clássico, que continua vendendo, felizmente.

Texugo disse...

É, eu sou um cara meio cético quanto a essas reedições, mas acho até legal que eles coloquem histórias com um pouco mais de moral. O que fico chateado é que acabam mudando certos traços do personagem, Cascão tomando banho ou o Bolinha magro, sei lá...