quarta-feira, 20 de julho de 2011

Metrô do Rio... Um inferno!

Sou um texugo não-motorizado, logo dependo muito do transporte público para poder ir e vir, quando a distância ou a preguiça são muito grandes. Normalmente costumo usar o ônibus, mas em diversas oportunidades o metrô tem se mostrado mais prático. Indo por baixo da terra e sem trânsito, seria de se imaginar que esse seria o meio de transporte ideal para se usar. Mas acredite, pelo menos aqui no Rio usar o metrô é um grande exercício de paciência...

Para o leitor que não mora no Rio de Janeiro e não conhece o metrô, posso dizer que ele é um grande superlativo. É o metrô mais caro do Brasil (e acho que até do mundo), cuja tarifa é de R$ 3,10. Se esse custo estivesse associado à uma destacada qualidade de serviço, até vai... Mas nossa linha metroviária, apesar de caríssima, é extremamente mal planejada e mal distribuída. Existem duas linhas, que formam uma espécie de Y: a linha 1 começa na Praça General Osório em Ipanema e vai até a Praça Saens Peña na Tijuca, enquanto que a linha 2 começa em Botafogo e vai até a Pavuna. E no trecho entre Botafogo e Central as linhas se revezam no mesmo trilho, em vez de serem linhas separadas. Clique no mapa para ampliar.


Claro, não estou considerando a tolice do Metrô na Superfície, que tem duas linhas que partem da General Osório indo até a PUC e à Barra. Vai se fuder, trata-se apenas de ônibus que fazem a integração para aqueles lados, chamar isso de metrô é ridículo!

Me desculpe, isso não é metrô!

Apenas para você ter uma idéia da "grandeza" do metrô carioca, dá só uma olhadinha no mapa do metrô de Nova Iorque, com suas 24 linhas e 468 estações transporta mais de 5 milhões de pessoas por dia. Faz nosso metrô parecer um trenzinho de brinquedo, com suas 2 linhas e 35 estações. Mas apesar de ter quase um décimo do tamanho do sistema da metrópole norte-americana, transporta quase 1 milhão de pessoas ao dia... Bom, já dá para ver como estamos na merda.


Mas apesar de sua pequena extensão, preço elevado, constantes congestionamentos (só aqui mesmo para escutar a mensagem "estamos aguardando a liberação do tráfego à frente") e freadas bruscas, na minha opinião a pior coisa no Metrô Rio não é o serviço, mas as pessoas que andam nele. Sinceramente, acho que o metrô daqui tem a maior concentração de gente mal educada por metro quadrado! Toda vez que decido usar esse meio de transporte, me aborreço pra cacete e perco cada vez mais a fé na Humanidade...

Uma coisa que percebo é que as pessoas que andam de metrô tem uma pressa incrível, quase doentia. Sei lá, parece que eles jogam alguma coisa no ar condicionado das estações que provoca uma ansiedade incrível nos passageiros. Antes mesmo da viagem, quando você entra na estação, as pessoas estão com o passo acelerado e quase correm em direção às roletas. Nas escadas então nem se fala, tem gente que só falta empurrar os outros que andam mais devagar para abrir caminho.

Principalmente quando há uma grande maré de gente vindo no sentido contrário... Isso normalmente quer dizer que o trem acabou de desembarcar, e está lá na plataforma. Nas estações terminais é possível observar esse caos, com alucinados que correm pelas escadas e corredores para pegar o trem ao ver aquele monte de gente desembarcando.

Sabe, eu nessas horas costumo desejar que aconteça pelo menos uma das duas coisas: ou que o apressadinho(a) tropece e se estabaque no chão, ou que simplesmente perca o trem. Dá uma satisfação enorme eu ir andando com meu passo normal e, depois de ser ultrapassado por um alucinado, ver o imbecil lá na plataforma, após ter corrido em vão... Fala sério, se tem toda essa pressa, é porque deve estar atrasado. Se for isso, então que bote a pôrra do despertador pra tocar mais cedo!

Mas como eu disse isso não está associado a uma pressa para não se atrasar para o trabalho. Se fosse, as pessoas não demonstrariam a mesma ansiedade na volta para casa ou durante qualquer outra hora do dia. Tampouco essas pessoas iriam perder tempo na fila dos guichês com os atendentes para comprar o bilhete, quando há máquinas automáticas sub-utilizadas, sempre vazias. Apenas por estarem no metrô essas pessoas ficam alucinadas, com uma pressa louca para sair na frente de todos. No final, é tudo falta de educação mesmo.

Como acontece na continuação deste nosso tour pelo Metrô Rio. Após comprar seu bilhete e passar na roleta, começa então o desespero na plataforma de embarque. Eu costumo ficar afastado dos trilhos, observando as pessoas ali novamente com a ansiedade aflorando, como se eu fosse um daqueles caras do National Geographic observando a fauna selvagem da floresta. Apesar de todas as recomendações de segurança, solicitando aos passageiros que não ultrapassem a faixa amarela, a cambada fica ali em cima dela, quando não a ultrapassa descaradamente. Tudo para ficar o mais próximo da entrada, para entrar primeiro no vagão.


Principalmente quando a estação tá muito cheia eu prefiro ficar de longe... Isso porque a cambada ali é, como eu disse, extremamente mal educada. Puta merda, se você estiver meio palmo atrás da faixa amarela, pode ter certeza que vai ter um filho da puta que vai cortar na tua frente. Ou pior, se houver um mínimo espaço entre você e outro cidadão ao seu lado, algo como 15 centímetros, vai aparecer um apressadinho se enfiando ali no meio. Chega a ser engraçado ver certas estações, fica aquele bolo de gente toda espremida na plataforma para entrar... Bom, aí chega o trem. É a hora que fode tudo, mal a composição parou o pessoal sai se aproximando, quase abraçando o trem. E quando a porta abre então...


Parece estouro da boiada, mal as portas se abrem e o pessoal sai correndo para o interior do trem, buscando bancos e lugares menos desconfortáveis. Quando nego não tá correndo, tá com o passo acelerado, e se necessário cortando na frente dos outros. Já disse para você que esse pessoal é mal educado? Nas estações onde a mesma plataforma é usada para embarque e desembarque, aí é o caos. Se vivêssemos em um país com educação, as pessoas esperariam de maneira ordenada ao lado das portas, aguardando até que os passageiros desçam do vagão. Mas como aqui é o Brasil-il-il... É um empurra-empurra tremendo, os animais que querem embarcar saem abrindo caminho através das pessoas que estão saindo, principalmente em estações de movimento pesado como na Central.


E todo esse problema no embarque é ainda pior nas primeiras estações, nas quais o trem está vazio: abriu a porta e aquele mar de gente corre para pegar os bancos vagos. No final do dia é simplesmente lastimável, quando toda aquela turma da Zona Norte via embarcar na General Osório ou em Botafogo... As pessoas correm mesmo, correm de verdade para dentro do vagão. Aquela cara de desespero na porta do trem, esperando pela porta se abrir, aquela ânsia e falta de educação ao sair empurrando quem estiver pela frente, e para completar aquele sorriso amarelo e desdentado dos poucos sortudos que conseguiram "vencer a corrida"... Já vi até um sujeito tacando sua mochila da porta do metrô em direção a um dos bancos, para reservar o lugar... Realmente, somos um povo muito civilizado...

Mas essa ansiedade e correria não são exclusivos dos moradores lá de cima, antes que venham me acusar de preconceito. Pois nessas mesmas estações pela parte da manhã a turminha que se acha superior que mora na Zona Sul faz a mesma coisa. Podem não tacar suas mochilas, mas a pressa alucinada, falta de educação e empurra-empurra também são usados pelas madames de Copacabana e os boyzinhos de terno e gravata metidos à besta. Tudo gente mal educada!

Para ilustrar um pouco esse desespero em busca dos bancos, peço ajuda ao Kramer do Seinfeld... Embora aqui seja o metrô de Nova Iorque, o clima é parecido por aqui. Embora esse metrô é bem mais vazio que o daqui.



Quando eu entro no vagão, logicamente tento arrumar um banco para ir sentado, de preferência um daqueles bancos que ficam de frente ou de costas para o trajeto e na janela. Não faço questão apenas de ficar nos bancos virados para a frente, a maioria dos animais que andam de metrô preferem esses, e por essa razão até costumo me dirigir para aqueles bancos virados de costas, menos visados, e consequentemente, corro menos risco de levar uma bordoada de um alucinado ou alucinada. Minha preferência pela janela não é por um motivo infantil de ficar na janelinha, como crianças e adultos estúpidos gostam: gosto de ficar ali pois existe pelo menos um lado que não fico perto de nenhum outro passageiro, dessa forma tenho sempre para onde respirar e desviar meu olhar...

Entretanto, mesmo estando em um desses lugares, certamente vai ter alguém do seu lado. Logicamente, minha esperança quando eu estou sentado na janela é que uma garota bonita sente do meu lado. Não apenas para, pelo menos por um momento, eu ficar com uma garota linda e cheirosa sentada pertinho de mim, mas porque essas mulheres costuma ser muito menos trogloditas e expansivas que os demais passageiros, sentando-se de maneira comportada e dentro do espaço que lhes é reservado. Embora eu possa imaginar que elas ficam dessa forma pelo fato de seu ser mais feio que um cotovelo esfolado...

Mas apesar de torcer por uma garota bonita sentada ao meu lado, na imensa maioria das vezes é um dos dois tipos mais insuportáveis que podem sentar ao seu lado em um banco de metrô ou ônibus: a empregada gorda e suada ou o babaca de pernas abertas.

A empregada gorda é uma figura bastante comum nos transportes públicos. Trata-se daquela mulher cuja bunda é tão grande que cada uma das nádegas está em um diferente fuso horário, e que em função da quantidade obcena de gordura qualquer mero movimento faz com que ela transpire em bicas. Lembrando que as pessoas ficam apressadas no metrô, logo bem provável que ela tenha vindo correndo para pegar o banco ao seu lado. Tão gorda que quando ela senta, o vagão balança! E uma vez sentada, sua bunda enorme te espreme contra a janela, sufocando você contra o canto. Por um lado é até melhor, pois sem conseguir respirar de tão esmagado pela jamanta, pelo menos aquele cheirinho agradável de mistura de cecê com desodorante Avanço não poluirá seus pulmões...

Não, esse não é o tipo de empregada que encontramos no metrô...

Igualmente desagradáveis são aqueles putos que sentam com as pernas abertas. Já havia falado desses cretinos nessa postagem há um bom tempo atrás... Normalmente é um daqueles suburbanos com bermuda até os tornozelos e penteado do Neymar ou então um dos típicos advogados arrogantes e engravatados que se acham melhor que todo mundo, que parecem que querem mostrar para todo o vagão que tem genitais tão grandes, que impede que eles sentem como pessoas normais, precisando ficar com suas pernas a 120 graus como se estivessem em uma cadeira ginecológica. Se um filho da puta desses está sentado na janela então, aquele que se sentar de seu lado vai precisar se equilibrar no pouco espaço que lhe restará...

Exemplo de um fela da puta sentado de perna aberta, incomodando os demais passageiros

Existem outras situações onde as pessoas incomodam também. Tem aqueles expansivos que sentam nos bancos laterais e que se apóiam no encosto dos mesmos com seus ombros, praticamente deitados e com as pernas chegando até o meio do vagão. Não sei se fazem isso para impedir que alguém fique na frente deles, ou é para atrapalhar a passagem mesmo. Certa vez eu vi um desses abusados, um magricela indo pra zona Norte e cara de babaca, e meti um bico na perna dele pra abrir caminho. Ficou putinha ainda, embora estivesse incomodando os outros.

Aliás, eu diria que essa parece ser uma tática usada por muitos dos mal educados que andam de metrô, muitas vezes para pegar um lugar mais confortável ou apenas para incomodar qualquer um que esteja em uma posição melhor do que eles. Por exemplo, quando sento no banco do corredor, não demora para que apareça alguém para ficar ali quase no seu colo... Ou é uma bolsa que fica ali, pendendo diante de sua cara, ou em alguns casos são uns putos que ficam quase enfiando seus pintos na cara dos outros, para tornar a sua viagem a mais desagradável possível. Mesmo quando estamos em pé em um canto mais sossegado e espaçoso, tem cretinos que fazem isso, como jogando o corpo em cima e tentando ganhar seu espaço. Parecem acreditar no ditado "os incomodados que se mudem": fazem o possível para incomodar a pessoa, na esperança que ela saia dali, para tomar o seu lugar...

A falta de educação e o incômodo são ainda mais constantes quando não se tem onde sentar, restando ficar em pé. Nesses casos, procuro lugares o mais distantes o possível do fluxo de pessoas, como os espaços ao lado das portas ou as extremidades dos vagões. Principalmente se vou descer após muitas estações. Claro, quando é possível ficar nesses lugares, pois normalmente sempre tem alguém ali...

Puta merda, viajar em pé é uma droga... Além de ser cansativo, acabamos sofrendo ainda mais com a falta de educação das pessoas. Começa com os desgraçados que andam com as mochilas nas costas, e ficam esbarrando em todos. Aí tem aquelas pessoas que levam um monte de sacolas e largam no meio da passagem, outros grandes pés-no-saco. Tem uns cretinos que parecem gostar de calor humano, e ficam encostando em todos. Outro exemplar insuportável dessa fauna são aqueles que ficam respirando seus germes em cima das mãos das pessoas que se seguram. E ainda existem aqueles que praticamente abraçam as barras de apoio, que não só impedem que outra pessoa possa se apoiar, mas também esfregando seus sovacos suados e fedidos, dessa forma deixando o apoio mais sujo que um poste de pole-dance...


Nem preciso falar que o pior de tudo é encarar esse desconforto em um vagão putamente lotado. Felizmente eu não tenho que pegar o metrô nas direções críticas (sentido Zona Sul de manhã ou sentido Zona Norte no final do dia), que é algo simplesmente épico... É impressionante ver como essa merda enche, as postas se abrem e há uma parede de gente ali, e a cada estação vão entrando outros animais... Condições desumanas, acho que sardinhas ficam mais confortáveis na lata do que as pessoas que precisam pegar o metrô nessas condições.


Após sofrer na viagem, chega então a hora do desembarque. E mais uma vez, reina a completa falta de educação por parte da corja que viaja no metrô. O primeiro problema é que chegar até a porta de saída é um inferno, não adianta pedir licença que ninguém vai te abrir passagem, só na base do empurra-empurra para abrir caminho entre o mundo de gente. Mas pior que isso são aqueles desgramados que ficam plantados bem em frente das portas, mesmo quando vão descer daqui a oito estações. Correndo o risco de soar repetitivo, mas é a pressa exagerada, as pessoas ficam ali para ficar mais perto da saída, e assim sair ASAP.

Outra grande merda já foi citada, são as pessoas que querem embarcar e não esperam que os outros passageiros saiam do vagão. São seres incapazes de ter um mínimo de educação para esperar, será que eles não percebem que ao deixar as pessoas saírem vai disponibilizar mais espaço para que esses ignorantes entrem? Mas não, de novo é a pressa... Precisa entrar logo no trem, pra conseguir o melhor lugar, então que se fodam aqueles que estão saindo...


Acontece isso comigo várias vezes. E eu não fico acuado, não abro passagem. Vou em frente, trombando contra qualquer um que venha invadindo o metrô antes da hora. Dane-se se é homem, mulher, velho ou criança. Um dia tinha um sujeito que veio se empremendo para entrar, meti uma puta ombrada nele, ficou puto e me xingou, e só retalhei "é pra esperar as pessoas saírem, seu filho de uma puta mal-educado".

Por fim, outra coisa que me deixa emburrado e puto da vida são aqueles calhordas apressados que ficam trafegando dentro do vagão para se posicionar em frente à porta mais próxima das escadas. Falo sério, sei que parece ridículo mas não é...

Acompanhe comigo: o vagão tem 3 portas, vamos chamá-las de portas A, B e C. Agora, imagine um imbecil mal-educado e apressado que está próximo à porta A. O trem se aproxima da estação, só que quando ele parar, a porta A ficará um pouco afastada da escada rolante, enquanto que a porta C ficará em frente. O que esse pústula faz? Antes mesmo do trem parar, ele começa a andar dentro do vagão para se posicionar em frente à porta C. Isso mesmo! Para economizar 4 segundos que gastaria saindo pela porta A e andando a mesma distância na plataforma, esses energúmenos fazem isso. E claro, empurrando quem estiver pela frente, "atrasando" seu cronograma...

Pensa que acabou? Não, mesmo depois de sair do metrô, ainda será necessário enfrentar o mar de mal-educados para sair da estação. Na grande maioria das vezes, é necessário pegar uma escada rolante para sair da plataforma e em direção da saída. E a estreita escada rolante é disputada por um monte de gente, continuamente tomados pela pressa excessiva, querendo passar na frente dos outros e sair na frente. Sério, eu fico ali, de longe, esperando o mundaréu de filhos e filhas das putas se degladirem no caminho.


Puxa... Só de fazer essa postagem me deu uma canseira tão grande quanto andar de metrô. Realmente um dos meios de transporte mais insuportáveis de se andar aqui no Rio, precisa de uma dose cavalar de paciência para aturar centenas de indivíduos mal-educados e apressados.

Um comentário:

Anônimo disse...

concordo plenamente com tudo!