domingo, 20 de julho de 2014

Cause of Death

Já faz algum tempo que eu não falo de jogos aqui no site. E decidi falar de um joguinho que pode não ser muito chamativo, certamente não é um grande destaque por conta de gráficos e possui uma jogabilidade muito, mas muito simples. Mas que é um jogo que me atraiu, uma das razões pelas quais eu acabei arrumando um iPod que me serve quase como um videogame portátil. O jogo se chama Cause of Death, mais um dos lançamentos da Electronic Arts.


Você pode estar se perguntando que diabos é isso, até porque muitas pessoas acham que a EA só faz jogos como FIFA Soccer, The Sims e Need for Speed. Mas é um jogo simpático, lançado somente para a plataforma móvel da Apple (acho que para Android também), que traz um estilo que eu particularmente sempre gostei muito, das histórias com decisões, no estilo daqueles livrinhos de "Escolha a Sua Aventura", dos quais eu já comentei algum tempo atrás aqui nesse post. Cause of Death é um jogo que segue nessa mesma linha, sendo ambientando em uma equipe de polícia que tenta resolver casos de homicídios bem elaborados, quase como um CSI. É o "irmão mais novo" de outro jogo semelhante lançado pela EA chamado Surviving High School, o qual eu também gosto e jogo com certa frequência, este já com uma história mais amena, trazendo as aventuras e situações típicas de adolescentes na escola, e que provavelmente focarei em outra postagem em breve. 

Em ambos os jogos, o grande barato é que a cada semana era lançado um novo episódio, baixado pela Internet. Assim, uma trama se desenrolava como se fosse mesmo uma série, com o suspense de novas revelações surgindo no final de cada capítulo. O jogador podia escolher pagar pelo episódio mais novo, ou se aguardasse em torno de uma semana podia baixá-lo de graça. Isso sem falar em algumas histórias extras, tipo como meio de temporada, e quem quisesse jogar os episódios mais antigos, podia também comprar na loja online. E assim as histórias vinham seguindo, no caso particular de Cause of Death ao longo dos últimos quatro anos.

O fato que me trouxe a fazer essa postagem é que recentemente a EA anunciou o cancelamento dos dois, o que provocou um triste sentimento em muitos fãs, incluindo aqui este texugo que vos fala. Por isso, decidi aproveitar esse momento até para fazer uma homenagem a um desses dois jogos que vão deixar saudades, com seu estilo divertido de passar o tempo e personagens extremamente cativantes.

Bom, como comentei acima, Cause of Death tem um estilo policial, onde você acompanha a história de uma equipe do departamento de polícia da cidade de San Francisco. Ao baixar o jogo, o recomendado era jogar a primeira "temporada" que já vinha completa, e depois então pegar os episódios seguintes. Em cada temporada, normalmente se tem um criminoso, um assassino de meios cruéis e meticulosos, e cabia a você ajudar os protagonistas a trazê-lo para a justiça. E nesse primeiro capítulo, o vilão era um sujeito chamado Maskmaker, um bandido que se escondia por trás de uma máscara branca, com o curioso modus operandi de escolher sempre ruivas em torno de seus vinte e poucos anos, e matá-las de forma cruel, colocando uma máscara de plástico em seus rostos. O maluco é esse aí de baixo.


Só para alinhar, pode ser que aqui eu lance até alguns spoilers. Se você se interessou pelo jogo e não quer ter as suas surpresas estragadas, melhor parar por aqui e só voltar depois que tiver pelo menos terminado a temporada gratuita que vem no jogo.

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Ok? Estamos avisados então, hora de seguir.

Acredito que seja uma boa hora de apresentar a equipe de protagonistas, com os dois policiais ali de cima que estampam a tela de título do jogo, uma dupla que sem dúvida é bem peculiar, como é comum nos filmes de polícia desde a época de Máquina Mortífera. Mas em vez de um metidão que trepava com todas as mulheres que apareciam nos filmes e um negão que teve o azar de sentar numa privada-bomba, aqui temos personagens um pouco mais reais, mais pé-no-chão. E que logo nessa primeira temporada já cativam muito bem a todos os fãs.


O carinha boa-pinta se chama Mal Fallon, detetive do Departamento de Polícia de San Francisco. Vindo de uma família com história na polícia, ele teve uma infância meio desajustada, principalmente pelo fato de seu pai ter se tornado um grande criminoso. Meio que justiça poética, ele acaba então voltando pra linha ao ingressar como policial, se tornando um dos melhores detetives do precinto, embora tenha a fama de ser um pouco inconsequente, muitas vezes entrando em confusão devido ao seu temperamento explosivo. Mas que no final do dia, apesar dos trancos e barrancos, acaba conseguindo resolver tudo. E ele começa a trama suspenso, sendo chamado de volta para ajudar na busca pelo Maskmaker.


E temos a mocinha bonita, chamada Natara Williams. Vinda de uma família rica, ela decidiu não se deixar acomodar pelas regalias e se dedicou aos estudos, se tornando muito boa na arte de avaliar o perfil das pessoas, por meio da observação de diversos detalhes (uma profiler, em inglês). Isso a levou a ingressar no FBI, se tornando uma das agentes de maior destaque, até um acidente onde seu parceiro acabou seriamente ferido. Isso fez com que ela fosse relegada a trabalhos menores, e é o que a leva a ajudar no caso do Maskmaker. Ela faz o estilo de certinha, procurando sempre ir se acordo com a lei, procurando sempre estar atenta aos detalhes para decifrar os crimes.

Já dá para ver aqui um grande conflito de personalidades, com o temperamental Mal e a calculista Natara. E em grande parte do jogo você toma as decisões por um deles, precisando justamente se adaptar ao estilo e conhecimentos de cada um. Ou seja, você provavelmente terá uma cena de ação e perseguição onde terá que tomar as decisões por Mal, ou um momento de interrogar um suspeito onde você deverá ajudar Natara a desmascará-lo. Tem que ter jogo de cintura, inclusive para tomar decisões que cada um deles teoricamente tomaria.

Você pode estar se perguntando porque só aparecem os rostos deles. Bom, é o estilo do jogo. Como falei, aqui não há grandes destaques gráficos, sendo que normalmente o que se tem é um cenário no fundo e uma caixa de diálogo, onde quando se tem algum dos personagens falando aparece uma imagem de seu rosto, para que você possa saber quem é. E tipicamente com uma expressão que indica como que o personagem se encontra naquele dado momento. Como, por exemplo, se você olhar na figura abaixo, onde coloquei os dois protagonistas com as suas expressões, poderá ver as diferentes situações onde eles estão em situação normal, feliz, zangado, triste ou assustado.


Sim, muitos podem achar bobo e sem graça. Mas para o estilo do jogo, até que serve bem. Lembra os clássicos RPGs de videogame.

Claro que há outros personagens na trama, muitos que você acaba controlando em um determinado momento, ou mesmo em episódios posteriores. Tem horas que você controla algum sujeito qualquer, tipo uma vítima prestes a ser morta pelo assassino ou um cidadão que presencia um crime, os típicos figurantes. Há até horas que você controla o assassino, meio que naqueles momentos onde tenta-se explicar o porquê que levou a um sujeito aparentemente tranquilo se tornar um criminoso. Mas há vários outros personagens que têm a sua importância na trama, a maioria deles membros do departamento de polícia de San Francisco, e que acabam sendo usados com maior frequência, muitas vezes se portando como verdadeiros protagonistas.

Apresentando os quatro principais personagens "coadjuvantes" que surgem no início da trama, começamos com Maria Yeong, que é a chefe do departamento de polícia, que embora tenha um lado mais bondoso e compreensivo, na maior parte do tempo é bem durona e exigente, querendo sempre dos seus subordinados um trabalho exemplar. E como nota pessoal, ela é lésbica (provavelmente sendo a metade mais "macho" da relação), com uma filha adotada. Temos também Ken Greene, o detetive negão que é grande amigo de Mal, um ex-militar que decidiu se alistar na força policial. É exemplo de força bruta e que curte uma boa cerveja e boas mulheres, mas que também tem um bom senso de humor, principalmente quando é para dar uma zoada em seu amigo.


Também temos a equipe do laboratório, começando com a gracinha cuti-cuti da Amy Chen, uma menina super sapeca e doce, que passou boa parte da vida em um orfanato. Não tem muita experiência de vida, mas isso a tornou uma excelente analista de dados, capaz de pesquisar as informações em seu computador com grande destreza e agilidade. E é uma gracinha, sempre com pensamentos mais puros e acreditando nas coisas boas. E trabalhando junto com ela temos o hilário Kai Kalaba, que é investigador de cenas de crime. Muito inteligente e perspicaz, mas que também é muito doido, sempre com piadinhas nerd e fazendo sempre alguma zoação. É o verdadeiro exemplo de comic-relief, muitas vezes fazendo piadas impróprias para o desespero de seus colegas, mas que no fundo é um sujeito legal que gosta de estar com seus colegas de trabalho, que considera como verdadeiros amigos.

O jogo se desenrola como um livro jogo, onde em diversos momentos você deve tomar alguma decisão, escolhendo uma das múltiplas escolhas que são apresentadas. Cause of Death usa um sistema de pontuação, onde uma escolha correta lhe dá "pontos de detetive", e escolhas erradas não lhe dão nada. Dessa forma, o andar da história não se perde muito, mas cabe a você fazer com que o personagem tome uma decisão acertada e não pague o mico de não ser um bom detetive. Por exemplo, controlando Mal ao interrogar uma testemunha que viu seu familiar ser morto, você pode agir de forma mais cautelosa e compreensiva, como seria esperado em uma situação dessas, ou então partir para a ignorância e estupidez, onde nessa situação provavelmente Natara iria interrompê-lo e dar uma bronca, fazendo as perguntas da maneira correta. Nada de muito especial com a pontuação, a não ser para ver o quão bom detetive você é, mas também te liberando uma cena extra no final se você tiver atingido um mínimo de pontos.


O interessante é que muitas vezes há um toque especial na hora das perguntas. Por exemplo, há situações onde você tem um tempo limitado para fazer a sua escolha, representado por um reloginho, tentando retratar a necessidade de decisões rápidas que podem ocorrer na luta contra o crime. Por exemplo, se você estiver em um tiroteio e tiver que escolher entre procurar proteção ou partir pra cima. Há mesmo situações onde você na verdade precisa esperar que esse tempo passe sem fazer nada: por exemplo, você pode estar em uma situação com reféns, e embora apareça a opção de atirar, o mais certo é esperar para ter uma boa oportunidade mais adiante.


Outro tipo de questão é onde aparecem várias opções que vão sendo mostradas a cada instante, e você deve dentro do tempo estipulado escolher aquelas que são as corretas para aquele momento, e evitar as erradas, buscando assim acumular o máximo de acertos para ter um bom resultado. Por exemplo, você pode estar querendo andar cautelosamente em uma sala escura para não ser percebido, precisando escolher dentre as opções onde você vai pisar. Nesse caso, o ideal é selecionar opções como "carpete" ou "piso livre" e evitar outras como "plástico de bolhas" ou "sucrilhos".


Plástico de bolhas ou sucrilhos... De onde eu tirei essa idéia? Podia ter usado as idéias da imagem acima, mas não... Tinha que inventar alguma bobagem.

E existem algumas questões, essas mais raras devido a sua maior dificuldade, onde você deve digitar algum texto. Tipicamente, você passa alguns minutos investigando uma série de pistas e informações, e então precisa responder uma questão qualquer, como por exemplo, descobrir a senha de um cofre ou o local de um crime. Essas são mais difíceis, mas forçam o jogador a prestar atenção no que está acontecendo. Claro, você pode tentar uma certa quantidade de vezes, caso não consiga provavelmente um outro personagem entra em cena com a resposta.


Como disse, muitas perguntas mal respondidas não te trazem a situações tão ruins, mas há situações onde uma decisão errada pode fazer com que algo crítico ou fatal aconteça, tipicamente resultando na morte de um dos protagonistas. E confesso que muitas vezes a descrição de como essas mortes ocorrem é tão detalhada e mórbida que pode fazer com que os mais fracos sintam náuseas. Tipo, "você sente a bala atravessando e explodindo o seu globo ocular, abrindo um rombo em sua cabeça, espalhando pedaços de seu cérebro pela parede" ou "nos poucos segundos que a sua consciência ainda funciona, você vê com horror o seu tronco decapitado caindo no chão". Claro que para dar uma chance, tipicamente depois de uma cena fatal dessas você tem a possibilidade de recomeçar de um checkpoint salvo, ou se preferir voltar até o início do capítulo e tentar tudo de novo.

As histórias são muito bem boladas, e é interessante como há uma boa mescla de situações policiais onde você é testado. Temos desde cenas de ação, como perseguições a pé ou em carros, cenas de tiroteios, interrogatório de suspeitos, situações com reféns e ações sob disfarce. A primeira temporada, do Maskmaker, traz isso muito bem ao longo de todos os seus capítulos. E o que mais chama a atenção é como os personagens são muito bem construídos, não só os protagonistas, mas também os vilões. Os diálogos são muito bem elaborados, e aqueles que acompanham a série há bastante tempo acabam ganhando uma grande simpatia por certos personagens. Eu particularmente sempre gostei muito do Kai, com suas loucuras simplesmente bizarras.


Várias outras histórias foram se desenvolvendo ao longo dos quatro anos, desde quando o jogo foi lançado. Como mencionei acima, episódios eram lançados em duas formas, com os episódios gratuitos da semana que podiam ser baixados sem nenhum custo, e também os chamados episódios sob demanda, estes que custavam alguma coisa tipicamente os costumeiros $0,99. Normalmente esses episódios sob demanda consistiam das temporadas passadas, ou então o episódio da semana seguinte, dessa forma faturando uma graninha daqueles fãs mais ansiosos que eram incapazes de esperar pelo episódio ser lançado gratuitamente. No início esses episódios gratuitos eram lançados semanalmente, mas com o passar do tempo foram lançados a cada duas semanas, e depois em intervalos maiores. Talvez uma das razões pelas quais o jogo esteja acabando, é possível que a equipe não tenha dado vazão à demanda...

Além das temporadas padrão, haviam também alguns episódios extras, tipo histórias adicionais que normalmente mostravam um pouco mais do passado de um dos personagens ou os colocava em uma situação um pouco diferente do convencional (tipo os episódios do Dia das Bruxas dos Simpsons). Haviam também os chamados Interludes, tipicamente um pequeno episódio no meio de uma das temporadas, só para quebrar um pouco e deixar os fãs ansiosos. Inclusive houve mesmo um episódio de Halloween, com direito a zumbis e a vermos aqueles personagens por quem ganhamos respeito pagando micos homéricos, com visuais bem curiosos.


Sou só eu que achei a Amy muito gatinha com a fantasia de gatinha? Com trocadilho, por favor.

Como disse acima, algo que chama muito a atenção é a construção dos personagens. Ao contrário de certos jogos onde não há espaço para muito diálogo, aqui em Cause of Death a história permite que as personalidades de todos eles sejam muito bem desenvolvidas, muitas vezes de forma extremamente profunda. Por exemplo, mesmo o louco do Kai tem sua história, motivos que explicam certas atitudes que ele tem. O mesmo é válido até para os bandidos (spoiler à vista): se você pegar o Maskmaker da primeira temporada, verá que ele era um garoto problemático na infância, sempre sendo sacaneado por sua irmã, até que um dia ele acabou explodindo e enfiou a cara dela na areia, até ela sufocar e morrer, ficando com o rosto coberto de areia. Isso fez com que ele se tornasse um serial killer, sempre reproduzindo da melhor forma a vez que matou a sua irmã. Não justifica o fato dele sair matando pessoas, mas é mostrada uma razão, todo um porquê por trás de seus crimes, não simplesmente aquele bandido que é bandido porque é do mal. Os vilões aqui de Cause of Death são vilões mesmo, mas lendo as histórias chegamos em certos pontos que os entendemos, que vemos o que os levou a se tornarem vilões. Algo como um Darth Vader que sucumbiu ao Lado Negro por conta da tristeza e do medo de perder a sua família ou um Magneto que passou sua infância sofrendo com a perseguição nazista contra judeus e que no fundo busca defender a causa mutante, indo contra aqueles que os perseguem.


Foda essa imagem, né? Continuemos.

Claro que além de todo o desenvolvimento dos personagens, era de se esperar que uma hora os protagonistas iriam acabar cedendo também a certos outros desejos. Já tava na cara, como em qualquer filme ou série, ao ver o casal de detetives agindo sempre juntos, ia chegar uma hora que os dois iriam acabar se apaixonando um pelo outro. Tem todos os momentos já manjados, como a situação onde Mal fica interessado em Natara e ela não dá bola, depois ele desiste e ela fica pensando no que poderia ser, aí ela arruma um namorado e fica noiva, deixando Mal meio chateado e querendo seguir com a vida, até se interessando por outra mulher, mas aí então o casamento acaba sendo então interrompido, coisas assim...


Mas no final tudo se acerta, e Mal e Natara acabam então assumindo o que sentem um pelo outro, apesar de todos os riscos associados a se trabalhar com sua cara-metade, ainda mais em uma profissão de alto risco como na polícia. Lógico que esse foi um dos momentos mais aguardados por muitos fãs do jogo, em especial do sexo feminino, sempre na torcida para que o mocinho e a mocinha ficassem juntos, e que ficaram muito felizes com casal "Maltara". E pra ver como não eram só os jogadores, até mesmo muitos dos personagens estavam na torcida para que a dupla de detetives finalmente assumisse aquilo que já era esperado.


Claro que muito mais se passou ao longo de todos esses anos. Atualmente estamos na 16ª temporada, e em cada uma delas sempre fomos agraciados com uma história interessante e empolgante, embora eu confesse que, considerando a época quando conheci o jogo, comecei a pegar a partir da sétima temporada, mas pretendo certamente arrumar de alguma forma os episódios anteriores. E como de costume, trazendo também alguns novos personagens interessantes. Mais uma vez, fica aqui o lembrete de que certamente teremos alguns spoilers pela frente, depois não diga que não avisei.

Bandidos é o que não falta... Em cada temporada você acabava sendo apresentado a mais um criminoso, muitas vezes um psicótico com métodos cruéis e absurdos. Apenas para citar alguns deles, tivemos o coroa Zero que matava suas vítimas baseado em signos zodiacais, o Ladykiller que dava cabo nas mulheres que não o valorizavam, Shawn Mallory, ex-agente do FBI (e ex-parceiro e ex-namorado de Natara), que pirou na batatinha, chegando em um dos episódios a se tornar um líder de culto, o mal-encarado do Livewire, um repórter investigativo que depois de ficar em coma por 15 anos começou a matar policiais corruptos, a enigmática Spinerette que usava aranhas venenosas e depois guardava os corações das vítimas como troféus, e a bizarra Onryo, uma japonesa que nasceu toda deformada e cega, matando todos aqueles que a viam como uma aberração, chegando a um ponto em que ela ganhou olhos e braços biônicos. Muitos deles foram mortos, outros presos.


Cause of Death também em diversas oportunidades colocou cartéis de drogas latino-americanos nas histórias. Claro, afinal de contas sabemos bem que os latinos sempre servem como traficantes de drogas nos filmes e séries policiais. Duas grandes famílias aparecem na trama, vindo do México temos Esteban Flores, que via tudo como um grande negócio, e Carlito Flores, seu filho, de temperamento explosivo e que nutre um ódio mortal por Mal Fallon, já que seu irmão foi morto pelo protagonista do jogo. Temos também o General Salazar, que manda no país fictício de San Trobida (algo como uma Colômbia nos tempos do Pablo Escobar), uma espécie de ditador que manda na parada toda, e temos também a sua filha Esmeralda, que por trás do rostinho bonito esconde uma personalidade ambiciosa e extremamente maléfica. Ela acaba se casando com Carlito, mas só mesmo para que seu pai pudesse controlar os cartéis mexicanos. E por fim o careca ali do canto é o assassino conhecido como Ghost, expert em facas e que acredita ser uma ferramenta do Senhor, matando aqueles que precisam morrer.


Comentário interessante... Eu não sei porque em um dado momento da história, o chefão do tráfico agradece seu filho como se ele estivesse se dirigindo ao que ele faz no banheiro logo depois de acordar...


Chicanos e suas gírias... Vamos em frente.

Algo interessante é que boa parte desses vilões tinham uma espécie de mentora, a mulher com cara de arrogante aí de baixo chamada Genevieve Collins, a principal antagonista. Tendo um passado desconhecido, ela acabou tendo como mentor o Zero ali de cima. Ela acabou se casando com um senador e logo começou a usar uma ONG que cuidava de crianças abandonadas, buscando lhes dar uma segunda chance. Mas seu verdadeiro objetivo não era ajudar as criancinhas, mas encontrar aquelas que tinham tido uma infância traumática, que tinham se envolvido em episódios bizarros, e logo Genevieve começava a treiná-los para se tornarem serial killers. Quase todos os bandidos acima, como o Maskmaker, o Ladykiller, a Spinerette e a Onryo eram na verdade crias dessa doida, que os considerava praticamente como filhos.


Acontece que nos últimos episódios acabamos sendo apresentados ao filho genético mesmo de Genevieve. Alex Dominguez, conhecido como The Firstborn (algo como "O Primogênito") desde criança era um despirocado, que matava seus amiguinhos por motivo nenhum, só por matar. Genevieve quase p matou, mas não conseguiu dar cabo no pentelho, soltando-o no mundo. E o filho da puta cresceu e continuou matando. Ao contrário dos demais assassinos, que sempre tem algo a dizer com seus assassinatos, Alex é um tipo único, que sente um prazer quase que orgásmico só por matar as pessoas, por ver sangue escorrendo, tripas dependuradas e cabeças sendo cortadas. Dotado de um humor negro que chega até a ser engraçado em alguns momentos, ele é meio que o "chefão" do jogo, atualmente tendo a cara toda cheia de bandagens, como se estivesse escondendo a sua identidade. Ainda não cheguei nos últimos episódios, fico só imaginando o que esse canalha pode causar... Segue ele aí em várias fases de sua vida de matança.


Logicamente que não é só de vilões que se faz o elenco desse jogo sensacional. Existem outros personagens auxiliares, várias outras pessoas que surgiram durante esses anos de história para ajudar nossos amigos a combater o crime, ou pelo menos fazendo algum nível de figuração.

Por exemplo, temos Oscar Santos, advogado da cidade, com sua pinta de galã de novela mexicana e que havia ficado noivo de Natara, sendo até visto com maus olhos por muitos fãs por ter ficado no caminho dos pombinhos; Charles Gilcomb (que parece um pouco com o tio Phil do Fresh Prince of Bel Air) foi durante boa parte da série o prefeito de San Francisco, com seu estilo bonachão e suas escapadas extra-conjugais; ainda no mundo da política temos o filho da puta do Seth Holland, braço direito do prefeito que depois lhe dá uma facada nas costas, metaforicamente falando, e se torna prefeito, um verdadeiro babaca que sempre fica dando em cima de Natara e menosprezando Mal; David Troy que é outro que enche o saco do detetive, seu ex-parceiro e que se tornou autor de livros policiais, com um ar arrogante e mais preocupado em bancar o super-tira; e até mesmo a realeza britânica deu as suas caras no jogo, representada pelo príncipe Stuart, praticamente uma cópia do príncipe William, porém sem sua Kate Middleton.


E o que seria de nossos dois protagonistas sem suas famílias? A família de Natara aparece com relativa frequência, com seus pais Raj e Anita Mansigh, donos de uma grande fortuna a qual a sua filha aparentemente não tem muito interesse, ao contrário de sua irmã mais nova Neha, doidinha e que adora curtir a vida. Ela inclusive foi sequestrada em uma das primeiras temporadas, sendo resgatada por sua irmã. Do lado de Mal, temos somente a presença mais ativa de Jacob Fallon, ex-policial que logo começou a seguir o lado corrupto. Passa boa parte da série preso, logo ele ele foge e se junta ao cartel de drogas. Apesar de seu lado criminoso, ele respeita e valoriza o trabalho de seu filho.


Além disso, durante as temporadas tivemos novos personagens que se juntaram ao grupo principal, devido a dois principais motivos (spoilers adiante).

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Durante o passar dos anos, a equipe sofre algumas mudanças, a começar pela chegada de Charles Anders, do Departamento de Assuntos Internos da polícia, que busca investigar o que acontece naquele distrito, chegando a um certo ponto a tomar o lugar de Maria Yeong como chefe de polícia. Um sujeito durão, com ar de poucos amigos, e com um desprezo especial pelos métodos mais violentos e inconsequentes de Mal. Além da saída de Maria, outra baixa é Ken Greene, que acaba morrendo em uma missão, e com isso temos a chegada de dois novos detetives: Blaise Corso é uma antiga parceira de Mal, e compartilha o mesmo estilo "Máquina Mortífera", sendo até muitas vezes violenta demais. E temos Jeremy Redbird, de descendência indígena, e que é trazido para San Francisco por Anders, com o objetivo de ser o policial certinho e que anda na linha. Não demora para que ele seja promovido a detetive, sendo sempre aquele de moral certinha e incorruptível, além de ser excelente atirador. Interessante é que acaba que ele e Blaise têm um envolvimento bem estranho, um namoro vai e volta onde nenhum deles admite o que quer. E por fim, temos Reed Harrow. Nas últimas temporadas, os nossos amigos acabam sendo transferidos para uma unidade avançada (SCT - Special Crimes Task Force), após todos os seus membros, com exceção de Reed, terem morrido em um acidente causado pelo Firstborn. Pouco se sabe a respeito dele, somente que ele quase como um agente secreto, especialista em diversas táticas de guerrilha e combate.


Aliás, essa fase final do jogo em que surge a SCT nos leva a missões pelo mundo na perseguição do puto do Firstborn, algo bem legal para mudar um pouco os ares que ficavam sempre na constância de San Francisco. Pena que o fim do jogo os levou a não passear muito pelo planeta, mas a ponto de fazer escalas na Inglaterra e Japão, onde sempre contaram com a ajuda da polícia local, representada pelo inspetor Micah Booker e pela sargento Minako Fukui. Ambos apresentam no princípio uma certa preocupação e resistência contra aquele monte de policiais norte-americanos, em especial o doido do Kai, mas no final eles acabam ajudando e respeitando a ajuda da SCT para solucionar crimes que estão causando o caos em seus países.


Existem também alguns outros personagens com suas próprias tramas, em algum momento se envolvendo na história principal. E alguns de maior destaque são os hackers da organização Brimstone. Depois da morte de Ken, Amy fica desiludida e acaba mudando completamente seu estilo, pintando o cabelo e botando piercing, e nessa ocasião ela se une a esse grupo. Liderados por Azrael e sua personalidade demagógica de igualdade e liberdade de informação, a Brimstone ainda conta com o durão Jericho e a enjoada Krystal. Embora sejam foras-da-lei, no final eles tem objetivos relativamente honestos, embora pisem no calo de muita gente importante.


Outra personagem que aparece frequentemente é Kara Yan, outra da qual pouco se sabe. Sempre envolvida com alguns crimes relacionados a obras de arte, ela usa de sua beleza para dobrar os homens e conseguir tudo, e apesar de seus crimes, ela no final das contas busca vingança contra aqueles que mataram seu pai. Ela tem uma queda por Kai Kalaba, sempre se esbarrando com ele em diversos momentos, para a felicidade de nosso CSI favorito.


E Cause of Death chegou a ponto até mesmo de fazer uma espécie de cross-over com o outro jogo da empresa. Como citei lá em cima, a EA criou o Surviving High School, com histórias mais light de alunos no colégio. E dois personagens acabaram sendo trazidos para Cause of Death, após se mudarem para San Francisco depois de se formarem. Demmi é sobrinha de Mal, uma garota que sempre defende causas politicamente corretas e que quer se tornar jornalista na cidade grande, e acaba arrastando seu namorado Colt para lá. Ele, por sua vez, é um rebelde que já fez várias barbeiragens no passado, mas que decide entrar na linha e acaba se juntando à polícia.


Haja personagens, não é? Muitos que vão deixar saudades com o fim do jogo... É uma pena que sempre iniciativas interessantes e bem boladas quando Cause of Death não durem muito em um mundo onde parece só haver espaço para jogos em que se arremessa pássaros gorduchos em cima de porcos ou em que pessoas ficam viciadas para combinar três ou mais doces em linha. Parece que a maioria das pessoas não curte muito jogos onde seja necessário pensar um pouco mais ou se tenha que ler algumas caixas de diálogo.

Fico às vezes me perguntando o que pode ter levado ao fim desse jogo. Claro que uma das razões possíveis é que os escritores podem ter começado a ficar sem idéias, como toda boa história chega um certo momento onde não tem mais o que inventar, algo que explica o fato de que os lançamentos passaram de semanais para bi-semanais e depois para "sabe lá quando". Também não sei até que ponto o jogo não estava trazendo um retorno financeiro suficiente, ainda mais em se tratando do fato do jogo ser da EA: afinal de contas, uma pessoa poderia muito bem não gastar um centavo e só baixar os episódios lançados gratuitamente, isso para não falar de outros meios, totalmente ilícitos, de adquirir os episódios. Ou mesmo se foi uma decisão estratégica, caso o jogo não estivesse fazendo muito sucesso e a empresa preferisse investir seu tempo e recursos em franquias mais famosas e conhecidas. Não sei, talvez nunca saberemos...

Mas pelo menos fico contente que consegui aproveitar boa parte desse série, acompanhando por alguns anos antes de seu fim precoce. Cause of Death sem dúvida entrou para a lista de meus jogos favoritos de todos os tempos. Aproveite enquanto é tempo, enquanto dá para baixar esse jogo sensacional e se divirta pelo menos um pouco com a história dos detetives Mal e Natara, correndo atrás dos bandidos e salvando o dia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Morreu pô? Bora postar.