sábado, 10 de janeiro de 2015

Robocop - Parte 1

Começando mais um ano, e para iniciar aqui com o pé direito, finalmente vamos voltar às zoações com filmes! Como eu havia prometido depois de finalizar a sátira de Aventureiros do Bairro Proibido, o próximo da lista é o nosso grande amigo policial de lata, o Robocop. Mas não estou falando do remake lançado recentemente, que ainda não vi, mas sim do original lá dos anos 80, que certamente deve ser muito melhor do que sua nova versão moderna. 


Clássico carimbado da Sessão da Tarde, é realmente curioso ver como que naquela época muitos filmes eram extremamente violentos para os padrões da atualidade, nesse filme tinha algumas cenas dignas de Mortal Kombat, mas mesmo assim esse filme fazia sucesso com a criançada, tanto que fizeram até um desenho animado dele. Curioso ver como que as crianças e adolescentes que cresceram na década de 80 e 90 hoje estão tendo filhos e os criando a base de pão-de-ló, cheio de receios e preocupações contra simples cenas de briga, alguns palavrões não muito fortes e mesmo uma cena de relance duma mulher com os peitos de fora. Coisas que eram tão naturais no seu tempo, mas que os jovens de ontem vêem como extremamente subversivas, indecentes e violentas... 

Mas chega desse papo filosófico, que queremos é rever esse filmaço, não é?

O filme se passa na Detroit do futuro. E como vamos ver em breve, aquele futuro hilário que os filmes dos anos 80 previam, tipo achar que no ano 2000 tudo seria revolucionário, embora sem carros voadores, viagens espaciais e outras tranqueiras do estilo Jetsons. Nesse futuro, Detroit, a antiga capital do automóvel, havia se tornado uma pocilga, cheia de crimes e toda fudida. Curioso observar que parece que os criadores do filme não erraram tanto, pois hoje em dia Detroit se tornou mesmo uma pocilga, uma cidade sem emprego e com elevado índice de violência, muito em conta pela aparente falência do mercado automobilístico norte-americano.


E se você conhece bem o filme do Robocop, sabe que uma das coisas mais hilárias são meio que os intervalos onde aparecem notícias de televisão ou mesmo propagandas. E é assim que o filme começa, com o jornal da noite de Detroit. Pelas imagens que eles apresentam, que envolvem a explosão do ônibus espacial Challenger, a erupção de um vulcão, um avião se arrebentando no pouso e um protesto que não era só pelos 20 centavos, dá até para escutar a vinheta do Plantão da Globo.


Surge então o William Bonner, juntamente com a Ana Maria Braga, comprovando que depois de ter trocado a Fátima Bernardes nenhuma co-âncora dura muito tempo ao lado do senhor Jornal Nacional.


E por que diabos tem uma merda em cima da mesa, que mais parece uma bomba peniana?

Entre as notícias, o Bonner fala então da morte de alguns policiais, que todo mundo diz ser por culpa de uma má administração dos departamentos de polícia, controlados pela organização OCP, que é veremos depois que é quem manda na pôrra toda da cidade. Só um pobre coitado consegue se safar, embora ferido gravemente, e consegue fazer um retrato falado do cara que havia os atacado, o tal do Clarence Boddicker. Esse é o filho da puta que é conhecido por matar policiais de forma cruel e vil, um verdadeiro calhorda, a ponto de fazer o William Bonner fazer biquinho.


Vamos então para o departamento de polícia, onde temos uma acalorada discussão entre alguns advogados e o delegado Hightower, que depois de algumas zoeiras na Loucademia de Polícia decidiu agir sério pra variar um pouco.


O advogado começa então os seus bla-bla-blás de que seu cliente tem habeas-corpus, que é réu primário e tem graduação em Botânica, e por isso não deve ficar nem um minuto preso pois é inocente, e que o fato dele ter sido pego em sua casa com uma arma depois de ter metido quinze tiros na cabeça de sua ex-mulher não tem nada a ver... Com isso o delegado Hightower fica puto dentro das calças, e parte pra porrada em cima dos advogados.


Ah, quem me dera que fosse assim por aqui.

E nessa hora somos apresentados ao herói do filme, o policial Murphy, que chega ao precinto após transferência da UPP do Alemão, fazendo pose de durão e achando que vai logo se dar bem nessa Detroit mais calma. Só não tem muito bom gosto para roupas, com essa camisa toda fresca, a ponto de fazer o afeminado ali atrás torcer seu nariz.


Murphy se apresenta para o delegado Hightower, que o manda para o vestiário para botar logo uma roupa decente, pois aquele ali era um departamento de família e não a boate Le Boy. E por algum motivo tem uma moradora de rua ali do lado da mesa do delegado, mostrando que a polícia realmente não tava com essa moral toda, qualquer trombadinha podia chegar ali e pedir uns dois reau pra tomar um café.


Não demora muito pra que Murphy troque de roupa e vista algo mais adequado para um policial que se preze, e já começa ali a bater papo, perguntando para seu colega quanto dia sido o jogo do Mengão. O outro tira, já lamentando o fato de que o novato era mais um mulambo, decide mudar de assunto, dizendo que o governo tava cada vez mais cortando a verba da polícia, e logo mais eles iam ter que enfrentar a bandidagem com estilingues. Pra ele, tudo um plano da OCP para fuder com a polícia e botar todo mundo na rua. E sem cerimônia, ele limpa um pouco de meleca na mão antes de dar um tapinha nas costas de Murphy.


Escutando o papo da OCP, quem se emputece é o Super Mario, que depois de ter tido a licença de bombeiro por ter limpado o encanamento da princesa Peach, havia conseguido um bico como guarda de trânsito, embora passe a maior parte do tempo ali no vestiário, andando pra lá e pra cá com uma toalha enrolada na cintura. Sério, isso é uma delegacia de polícia ou uma sauna homo-erótica?


Essa cena me lembra quando dei a zoada no Starship Troopers, quando tem a cena do banho, onde todos os recrutas ficam ali compartilhando seus desejos mais íntimos debaixo do chuveiro, na expectativa de ver quem seria o primeiro a derrubar o sabonete. Qual a necessidade de uma cena assim? Acha que o público vai querer ficar vendo um monte de bundas cabeludas ali tomando banho? Pelo menos tem uma hora onde temos o relance de uma loirinha com as bazingas de fora que não é de todo mal, que pelo menos tem mais curvas que a mulherada do filme espacial...

O Super Mario continua puto dentro das calças, ou melhor, da toalha, e começa a dizer que tudo não passa de um plano do governo de esquerda que se perpetua no poder, que tá mais preocupado em distribuir bolsa-família e defender a bandidagem, que eles tinham que fazer greve, e que se foda o delegado Hightower, que ele era um filho da puta escroto que não escutava seus recrutas. Mal sabia ele que o próprio estava ali atrás, só pensando em como estragar a vida desse ítalo-americano que mal sabia controlar o trânsito em um playground.


O delegado estava lá, juntamente com o oficial Rick Moranis, para limpar o armário de um policial, aquele lá da notícia que estava mortalmente ferido e que já tinha ido dessa pra melhor. E como ele era quem mandava naquela pôrra, seria ele quem iria fuçar as coisas do defunto antes do outros, ficando com qualquer coisa que achasse útil. Depois a galera podia se degladiar ali pra lutar pelos pertences dele.


E Hightower manda um esporro, dizendo que fazer greve é o caralho, que eles eram policiais e não encanadores...


Sério, ele fala isso no filme mesmo! Mais direta do que essa, só se fosse um cruzado na cara do Super Mario.

Murphy volta pra sala policial, onde vemos então dois oficiais brigando com um suspeito. Curioso como o cara fica assim na boa, querendo sair na porrada dentro de um departamento de polícia, mesmo sabendo que deve ter uns cinquenta outros policiais que podem descer o cacete nele. Mas como se pode ver, todos os outros ficam só olhando, com cara de bunda, enquanto a briga sai correndo solta. Tá vendo como a polícia do futuro tá sem moral?


Mas a peleja logo termina, pois um dos oficiais é a durona Lewis, acertando um cruzado de direta na boca do bandido, que desaba no chão todo desdentado e sem nem conseguir gritar pelos direitos humanos. E observem no fundo que o Tripa-Seca, aquele ladrão que aparecia no Chapolin e era interpretado pelo Seu Madruga, faz uma aparição surpresa.


Realmente uma coisa engraçada é ver como arrumam uns figurantes nada a ver... Depois querem que a gente leve o filme a sério quando tem um panariço lá atrás como aquele.

Hightower fala que Murphy e Lewis serão parceiros, e já dá pra perceber as segundas intenções do queixada, tem toda a pinta que tem tara por mulheres extremamente femininas como a Dilma Roussef, mandando um clássico "pega na minha e balança". Por sua vez, Lewis já viu que sobrou pra ela tomar conta do calouro, e já começa deixando ele no vácuo na hora do aperto de mão, dizendo que Murphy is ser a sua "puta" e tinha que ficar quietinho no sapatinho pra não acabar morto em sua primeira missão.


Continua então a troca de gentilezas entre os mais novos parceiros... Começando com Murphy dando uma de machão, dizendo que ele é quem dirige, e que lugar de mulher é no banco do carona ou pilotando fogão. Sim, eram os anos 80, e ainda havia essa postura de grosseria contra o sexo frágil. Lewis por sua vez estoura uma bola de Bubbaloo na cara dele, e que da próxima vez faria o mesmo com suas bolas.


Mudamos então um pouco de ares, agora no QG da OCP, onde encontramos alguns executivos. No meio temos um que terá a sua importância na história, o playboyzinho do Bob Morton, que parece que está segurando pra não se cagar nas calças. À sua esquerda, mais um figurante representado por uma etnia menos favorecida, o puxa-saco do Johnson. E do lado direito, em seu primeiro dia na OCP, o Paulinho, que está todo ouriçado com seu terno comprado à prestação e não aguenta de ansiedade para participar de sua primeira reunião, depois de ter praticado por uma hora no espelho do banheiro como dizer "é uma excelente idéia, chefe" de forma convincente.


A reunião está prestes a começar, com a chegada do chefão da OCP, o velho da esquerda que todo mundo chama de "Velho", demonstrando realmente o grande respeito e empatia que a equipe tem pelo seu CEO. Do seu lado direito está outro velho, chamado Dick Jones (que em inglês seria como José Pinto ou outro nome mais sugestivo), que é quem fará a apresentação de hoje.


A reunião começa. E é interessante como estamos no futuro, mas as reuniões precisam de uma mulher pra ficar ali datilografando (isso mesmo, datilografando) em uma máquina de escrever tudo que está sendo falado. Temos um filme com robôs fuderosos e ainda usam uma maldita máquina de escrever...


Dick Jones então é chamado ao palanque e começa a falar como que a criminalidade aumentou absurdamente depois que o governo do PT aumentou a maioridade penal para 30 anos, e a polícia não estava dando conta de toda aquela bandidagem correndo solta, e que ele era a solução, a cura para todos os problemas que assolavam a Detroit. E se ele fosse eleito, iria promover a limpeza da Baía de Guanabara, levar o metrô até a Barra e acabar com a violência, e blá blá blá...


Morton já tá enojado, de tanto escutar essas baboseiras de papo comunista que não servia de nada, que era tudo fachada. Ou então estava naquela situação crítica em que a marmota tá quase saindo da toca, sujando a cueca toda. Por sua vez, Johnson, como o bom puxa-saco que é, está lá de sorriso aberto, acreditando em tudo, mesmo sem entender metade do que está sendo dito.


Dick continua falando então de seus sonhos de deixar a cidade tinindo, e para isso, era importante ter uma força policial incorruptível, capaz de trabalhar 24 horas por dia sem reclamar do atraso de salário, sem precisar comer ou ir ao banheiro, e que não fosse fazer falsa blitz pra descolar o cafezinho. Ele então diz que vai revolucionar a polícia, e para isso, ele iria apresentar-lhes...


Tam-tam-tammmm....


ED-209.


Cara, deixa eu fazer uma pausa aqui. De todo o filme do Robocop, esse ED-209 é o que mais tem de maneiro. Puta merda, antes de sermos invadidos pela febre dos Mechwarriors e outras trapizongas inventadas para videogames, o robozão aí já era do caralho, é muito show de bola esse ED-209. Com toda essa pinta de Transformer mal-encarado e que não leva desaforo pra casa, com aquelas duas putas armas nos braços, sem dúvida o cara que bolou o design do ED-209 acertou em cheio, criando um robô icônico como o Terminator ou o R2-D2. É uma das razões pelas quais eu não me animei muito em ver o remake lançado recentemente, pois mesmo com todos os efeitos especiais, com todos os recursos computadorizados, jamais iriam fazer um robô assim tão bad-ass como ele.


Para demonstrar as capacidades de manutenção da ordem, Dick Jones decide fazer uma pequena simulação, e para isso ele chama o nosso amigo Paulinho, que dá um pulo na cadeira e diz "sim senhor" com toda a animação de que alguém sabe que ele existe.


Dick diz que vai simular uma tentativa de assalto e mostrar como que o ED-209 resolveria. Ele pega ali um trezoitão e pede para o Paulinho apontar a arma de forma ameaçadora para aquela coisa horrenda ali na sala.


Não seu imbecil. Aquela outra coisa horrenda ali, pôrra!

O Paulinho então finalmente faz direito, apontando a arma para o ED-209...


... ei que então o robozão acorda de um pulo, apontando suas metralhadoras pro coitado.


"PERDEU, PLAYBOY! VOCÊ TEM DEZ SEGUNDOS PRA JOGAR A ARMA NO CHÃO OU VOCÊ VAI SENTIR A FÚRIA DE MINHAS MEGA-METRALHADORAS DA PÔRRA, SEU MELIANTE!"

Claro que ele não fala isso. Mas imagine um puta robô com cara de poucos amigos e armas do tamanho de uma motocicleta falando qualquer coisa com uma voz ameaçadora como se fosse o demônio fazendo força sentado no vaso... É mais ou menos isso, suficiente pra fazer qualquer um se borrar de medo.


E vou dizer, na versão em inglês a voz dele é realmente de fazer você cagar nas calças e chamar pela sua mãe.

Paulinho então fica sem saber o que fazer... Dick então diz que é melhor obedecer, ou ele vai acabar virando uma esponja.


Paulinho então não pensa duas vezes, e joga a arma no chão. Ele certamente não é doido de não obedecer ao robozão ali.


Só que parece que ou esse ED-209 era míope e não viu a arma caindo no chão, ou então ele realmente não foi muito com a cara do Paulinho, e achava que ele a ficar melhor depois de uma plástica à base de balas de .50 na cara, pois ele continuava ali de forma ameaçadora, apontando suas armas para o sujeito.


O mais foda é que parece que o robozão ruge, como um leão. Que Robocop que nada, tinham era que ter feito um filme com o ED-209!

Nisso os aspones do Dick Jones que estavam lá no controle ficam no desespero, tentando fazer alguma coisa. Bem que alguém tinha falado que não era pra instalar Windows 8 no ED-209...


É Paulinho... Fudeu.


E no desespero, ele tenta então sair correndo, se mandando pro meio dos demais na sala de reunião, na esperança que o ED-209 o confundisse com algum dos outros engravatados ali.


Pior de tudo é que nessas horas o instinto de sobrevivência fala mais alto, e em vez de ajudar o pobre do Paulinho a correr e se proteger, os filhos das putas ali de seus colegas o empurram pro lado, para que o robozão tenha mira livre para atirar. É o mundo corporativo, se você bobeia, te comem vivo.


E então o ED-209 descarrega toda a sua fúria. Não tem nada dessas frescuras de arminha não-letal, de papinho paz e amor. Aqui é na base da porrada, com o filho da mãe do robô simplesmente fuzilando aquele que teoricamente seria um bandido. Deve ter sido programado pelo Bolsonaro essa pôrra.


Rá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá!


Cara, na boa. Mostra como esses filmes dos anos 80 o pessoal não poupava no sangue. O cara é trucidado, transformado em carne moída sem nenhuma cerimônia, com direito a pedaços de carne voando e rombos do tamanho de uma bola de futebol sendo feitos no pobre do Paulinho. Parece que a sua esposa vai receber uma coroa de flores no final do dia, juntamente com uma cartinha triste.


Todos se recuperam do ocorrido. Johnson tava lá debaixo da mesa, olhando as calcinhas da moça que estava sentada na sua frente, enquanto Morton admite que vai ter que trocar mesmo a sua cueca e talvez as calças, pois tinha se cagado até as meias.


A reunião então já foi pro espaço... Alguns se mandam pra ir no banheiro e limpar a cagada que fizeram nas calças, outros saem rindo com a chance de ir embora pra casa mais cedo, enquanto um pilantra ia lá tirar um selfie com os restos moribundos do Paulinho. Dick Jones parece ali impassível, tentando se explicar pro velho, que está puto pois aquele filho da puta do Paulinho foi escolher morrer ali em cima de sua maquete.


Cara, vou chamar o Dick Jones de Zé Pinto a partir de agora...

Zé Pinto diz que foi só um mero tilt, nada a se preocupar, bastava apertar Ctrl-Alt-Del que resolvia o problema, mas o velho fica puto da vida, dizendo que ele já tinha gastado uma grana com aquele maldito projeto do ED-209 e que aquela bosta não parecia funcionar, e agora como que ficaria o projeto da nova Detroit, sem os novos policiais robôs? E o pior de tudo, quem ia reconstruir a sua maquete?


Nessa hora, sentindo cheiro de oportunidade (assim como o cheiro da merda em suas calças), Morton se mete, dizendo que ele tem um projeto muito mais melhor de bom que o ED-209, que era o modelo Robocop, que seria mais barato, mais funcional e que resolveria todos os problemas, pelo menos ele garantia que não ia ter outro cadáver caindo em cima de sua maquete. Ele só precisava de um candidato para se tornar um robô.


O velho gosta da idéia, ganhou na hora em que falou "mais barato", e pede para que Morton prepare uma apresentação. Zé Pinto fica então fulo da vida, puto de raiva por aquele executivozinho de merda estar tirando o ganha-pão dele...


Voltamos então para a nossa dupla de tiras. E chegamos bem a tempo de ver Murphy demonstrando toda uma preocupação com a segurança, ao ficar brincando com a sua arma, imitando um desenho animado que ele tinha visto com o filho dele, e ele queria agradá-lo.


Imagino que deva ter sido esse o desenho...


Lewis diz que aquilo ali era uma baita duma babaquice, e que seu filho devia ter vergonha de um pai tão escroto assim, metido a babaca. Mas, enfim... Era melhor ter um pai babaca do que ser órfão.


Mas as brincadeiras tem que ficar pra depois, pois logo chega um aviso do DP dizendo que um grupo de bandidos havia acabado de estourar um caixa eletrônico, e estava em um furgão. Provavelmente não seria difícil encontrá-los, pois no futuro quem é que andaria de furgão?

E o pior é que era a gangue do Clarence Boddicker, que estava puto dentro das calças pois o seu capanga havia sido idiota o suficiente de exagerar na dinamite, e com isso havia queimado o dinheiro todo. De tão puto, ele diz então que vai pegar aquelas notas chamuscadas e enfiar na bunda do seu capanga, até que ele começasse a cagar trocados.


A arruaça termina, pois a polícia chega. Um carrinho só, onde está a nossa dupla de tiras destemidos.


O carequinha que está dirigindo diz que ele é bom de roda, e vai pisar fundo e colocar os tiras pra comer poeira. Ele já havia jogado muito GTA quando era moleque e seria molezinha vencer os caras. Boddicker manda então ele tomar no cu, que GTA é o caralho, bom mesmo é Need for Speed. E que ele não ia fugir dos tiras, ia acabar com eles, e pede então para o careca diminuir a velocidade.


Os bandidos então preparam suas armas, prontos para fuzilar o carro de polícia...


Aguenta um pouco. Por que diabos aquele filho de uma puta está deitado lá no chão de pernas abertas pra atirar? Pra que isso, merda? Ainda me corre o risco de levar um teco no meio do saco, parece que bebe, pôrra!

Murphy por sua vez também tenta inventar, e pega a arma de Lewis pra bancar o cowboy do velho oeste.


Os capangas abrem a porta e metem chumbo, e só depois de atirar por quase um minuto se são conta de que o carro desapareceu. Quem diabos eram aqueles tiras, o Madrake com o Mister M?


Brincadeira... Uma dúzia de bandidos ali dentro e nenhum se deu conta que eles estavam ali do lado?


Começa então o bangue-bangue genérico, onde pra variar os bandidos são dotados da habilidade de tiro dos nossos amigos Stormtroopers, não acertando nada. Por sua vez, Murphy quer começar o seu primeiro dia com uma contagem de mortes positiva, e mira com cuidado...


... acertando em cheio o touquinha que estava deitado no chão. Por mais um pouco ia perder as bolas.


Boddicker então decide resolver dois problemas de uma vez só, pois ele ainda não tinha se esquecido que por conta da estupidez do touquinha eles tinham ficado com um monte de notas fudidas. Ele chega então pro seu capanga e pergunta se ele sabe voar...


É um filho da puta esse Clarence Boddicker. Estou te falando, eram os anos 80, e nos filmes de ação faziam questão de criar um bandidão canalha, vil, sem-vergonha e violento, como os chefões dos jogos de videogame. Só um puto do mal assim pra pegar o seu companheiro ferido e, em vez de ajudá-lo, o usa como um aríete, fazendo com que os dois policiais tenham que parar e se livrar do obstáculo.


Aliás, curioso o nome que arrumaram, bem interessante e ambíguo: Clarence é nome que é normalmente de um gordo da escola que toca clarineta e que tem problemas de bexiga, não dando medo algum; mas Boddicker é um nome que soa como filho da puta, como o pior tipo de gente que já pisou nesse planeta. E veremos logo mais que serve direitinho.

Bom... Não sei como, mas Lewis e Murphy chegam então em uma fábrica abandonada, para onde os bandidos fugiram. Não vamos perguntar aqui como que eles encontraram esse lugar tão fácil, pra não deixar o diretor do filme sem graça.


Murphy então pergunta pra operadora quando é que vai chegar o reforço que ele pediu há vinte minutos atrás, e ela responde que as linhas estão ocupadas, mas que a sua ligação era muito importante para eles e em breve ele seria atendido. Lewis diz que não vai esperar e que eles precisam ir logo.


Sem dúvida, uma decisão muito acertada de Lewis. Dois policiais armados com uma pistolinha cada um, contra uns seis bandidos com escopetas e em um esconderijo que eles conhecem bem. Ainda mais com um parceiro que nessas horas críticas fica andando de Moonwalker.


Eles se separam, e logo Lewis faz uma curva e encontra o negão dos bandidos dando uma mijada ali no canto.


Ela, como a idiota que é, estava mascando aquele mesmo Bubbaloo lá do início, que devia estar com gosto de borracha agora, e só com o barulhinho já chama a atenção do negão.


Que situação, hein? Você ali dando uma mijada, e é pego ali com as calças arriadas e a mão naquilo. Lewis então, como toda boa policial, profere alguns xingamentos racistas, como era natural nos anos 80, e manda ele levantar as mãos.


O negão então concorda, diz que não tem problema de levantar as mãos, mas ele não sabia o que fazer com o passarinho que estava fora da gaiola, se ele podia colocá-lo pra dormir ou ela preferia que ele levantasse também?


Pode apostar que se fizeram uma sátira pornô do Robocop, alguma trapizonga como Robo-cópula, que essa cena deve ter tido um desfecho diferente.

Lewis então olha atenta pro negão...


... que fica ali encarando ela...


...


...


...


Rá! Safadinha! Não deu jeito, Lewis não resistiu e foi lá dar uma conferida na jibóia do negão.

Nesse décimo de segundo que ela desviou o olhar, o negão acerta um gancho no meio das fuças dela...


... fazendo ela voar pruma queda que vai doer bastante de manhã. Tá vendo só, sua escrota? Tinha que olhar ali pra jeba do bandido e agora se deu mal, sua idiota. Tudo bem que não é garantia que o Murphy não iria fazer o mesmo (ou pior, tipo algemar o negão e depois abusar dele), mas pra aquela que posava de macho da dupla você mandou mal.


Com direito ao negão ficar ali de cima zoando, depois de fazer um pirocóptero da vitória.


A postagem tá ficando longa, mas parar nesse momento seria covardia... Vamos mais um pouco, e ver se o Murphy tem mais sorte. Embora todo mundo sabe o tipo de "sorte" que o espera...


E ele encontra dois bandidos vendo um programa de TV, tipo um Zorra Total com um babaca que fica ali só se insinuando pras convidadas gostosonas e fazendo sacanagem.


Murphy grita "perdeu playboy", e tão logo um dos capangas pega na escopeta, mete um balaço no peito dele. Show de bola, primeira hora de polícia e já tinha duas mortes pra conta.


Outra coisa legal dos filmes dessa época: hoje os heróis são sempre bonzinhos, todos politicamente corretos e cheios de frescuras, tipo o Edward dos filmes do Crepúsculo. Se fosse hoje, Murphy teria dado um tiro na perna do bandido e pedido desculpas. Mas aqui ele mete duas balas pra garantir que aquele crápula vai sair dali num saco preto.


O carequinha fica ali no sofá, com cara de cagaço. Nessa hora, Murphy profere a sua one-liner, dizendo que pro babaca "vivo ou morto, você vem comigo".


Ou então ele estava chamando o carequinha pruma noite pesada na zona.

Murphy então começa a chamar por sua parceira Lewis, dizendo que está sozinho e precisa de ajuda, antes que os outros apareçam. Parece que só agora ele se deu conta de que foi uma péssima idéia tentar invadir ali em menor número. Esse aí não entendeu bem o conceito de estratégia...


É, não deu outra... Dez segundos depois, outros dois bandidos aparecem e colocam Murphy na merda... Pra aprender a ter estratégia, seu panaca!


O carequinha então, puto pois quebraram a TV de estimação dele, diz em alto e bom som para Murphy "sua bunda é minha". Já tava claro com esse visual de coletinho de couro e barbinha estilosa que esse bandido aí gosta de uma bunda cabeluda.


Eis que chega Clarence Boddicker... O assassino de policiais. Dá pra sentir a aura de filhadaputagem ao redor desse cara, sem dúvida fizeram um bandido que tem pinta de mau mesmo. E agora me dei conta de que ele é o Red Forman do That 70's Show.


Começa então a tortura... Primeiro Boddicker acerta uma porrada com sua escopeta nas pernas de Murphy, pra deixar ele de quatro, e pergunta onde que está o parceiro dele.


Chega então o negão, que diz que uma vez mais o dia foi salvo graças ao seu churro, que deixou a parceira dele de calcinhas molhadas, e que agora ela devia estar recolhendo os dentes dela. Piadista esse negão...


Boddicker então pega a sua espingarda, e diz que vai ser bem rápido, bem indolor. Ele promete para Murphy um destino bem mais honroso que o seu amigo Baiano ganhou.

Né-né-né-né-né-né-né-né-nééééé Né-né-né-né-né-né-né-né-nééééé...


Né-né-né-né-né-né-né-né-nééééé Né-né-né-né-né-né-né-né-nééééé...


Né-né-né-né-né-né-né-né-nééééé...


BANG!


Cara... Essa é talvez uma das cenas mais tensas que eu já vi em filmes. Clarence fica com essa zoadinha, e então do nada, quando você menos espera tem aquele esporro do tiro da doze, arrancando fora a mão de Murphy. Tudo bem que vendo em câmera lenta dá pra perceber o truque de efeito especial, mas na hora é realmente algo bem grotesco e pesado. Lembre-se que Robocop passava numa boa na Sessão da Tarde, sem cortes, com a garotada surpresa ao ver a mão do pobre Murphy explodindo pelos ares.

Lógico que ainda sobre tempo pra alguém fazer a piadinha "pô, alguém dá uma mãozinha pra ele".


Ah, o humor sádico dos anos 80... Uma coisa temos que dizer, esses bandidos aqui são bem-humorados.

Já tá na hora de dar nomes pros bandidos, já que os figurantes já foram pro saco. Seguindo aí na fila, vou chamá-los de China, Fonzie, Motumbo e Farofa.


Começa então o fuzilamento de Murphy... Quatro caras cada um com uma escopeta, atirando dezenas, quase centenas de balas no pobre coitado, chega a ponto de que o seu braço é arrancado tamanho é o poder de fogo. Impressionante como é que ele leva tanto tiro e continua de pé.


Lewis, que já se recobrou do nocaute, chega até o lugar dos gritos, e só consegue ver através da grade os quatro bandidos despejando chumbo grosso e os berros de Murphy. Acho que ela vai precisar de um novo parceiro, será?


O Motumbo, que é o piadista da trupe, pergunta então pro Murphy onde é que tá o dodói, que ele vai dar um beijinho pra passar.


Boddicker diz então que acabou a esbórnia, e é hora de colocar o lixo pra fora.


Sim, balaço na cabeça. Não a ponto de estragar o velório, mas novamente uma das cenas graficamente fortes do filme, ao vermos os miolos de Murphy voando pelos ares. E em questão de cinco minutos Boddicker já havia se tornado um dos vilões mais violentos e sádicos da história de Hollywood.


Os capangas se vão... E Lewis então chega, mostrando realmente como seu timing é preciso. E a zorra foi tão grande que ela precisa olhar com cuidado onde pisa, pois o chão está repleto de pedaços de Murphy por todos os cantos.


E ela então cai no desespero. É, pesou a consciência, né, sua vagabunda! Ficou ali zoando o cara, falando tudo aquilo, sacaneando o truque da pistola que ele tava fazendo, e agora ele bateu o recorde de ter sido o policial morto com menor tempo de serviço.


Sério, o cara deve ter durado duas horas nesse trabalho. Saiu de manhã, se despediu da família e vai voltar dentro de um caixão...


Ou será que não? Claro que não, todo mundo aqui sabe qual o destino de Murphy. Mas essa continuação vai ficar pra depois, na segunda parte. Até lá.

3 comentários:

Pigeon maluco disse...

heheheh texugo, apesar de eu nunca ter visto um filme dos cops robos eu bem que gostei da sua postagem.
e pq sempte tem um mario nos filmes ?

victor88 disse...

Aee voltaram os reviews, mto bom esse do robocop, aguardo para 2 parte

Texugo disse...

É uma boa pergunta... Sempre tem algum ítalo-americano de bigode nesses filmes mesmo...