quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A confusão dos nomes dos chefões do Street Fighter

Não consegui resumir mais esse título. Mas, depois daquele post a respeito dos chefões dos videogames, que você pode ler aqui, teve até um comentário de alguém dizendo que eu tinha errado o nome do chefão final do Street Fighter. Em um primeiro momento, me perguntei como que um sujeito, a essa altura do campeonato depois de 25 anos após o lançamento de um dos mais famosos jogos de luta, não conheça ainda a história a respeito da nomenclatura dos chefões desse jogo. Tudo bem que provavelmente tal sujeito possa nem ter nascido lá no distante 1991 quando o Street Fighter II chegou nos fliperamas, mas com a internet e todos os recursos hoje em dia, bastaria um pouco de pesquisa para descobrir toda a história.

De qualquer forma, pelo menos me deu a idéia de escrever um post sobre isso. Claro, não estou falando nada de novo, mas o que vejo muitas vezes por aí é que apenas se comenta da mudança que precisou ser feita na nomenclatura de três dos quatro chefes do jogo. Em nenhum momento se fala de forma mais crítica se a mudança funcionou ou não. E é isso que pretendo fazer.


Ou, pelo menos serve como um pouquinho de cultura de videogame para as gerações mais novas, que talvez não saibam desse fato.

Quando lançado, o Street Fighter II permitia você escolher entre oito personagens apenas. Não preciso falar aqui a respeito deles, todo mundo conhece o elenco do jogo de luta mais famoso da história. E além destes oito lutadores, haviam ainda quatro chefes, que na época não podiam ser controlados pelo jogador, apenas nas versões seguintes é que eles ficaram à disposição.


Assim, depois de vencer lutas contra os oito lutadores iniciais, você encarava o negão boxeador norte-americano, uma bichona espanhola com máscara de Jason e garras estilo Wolverine, um careca gigante tailandês de tapa-olho e cueca samba-canção e, por fim, um ditador maluco com cara de psicótico.

Bom... Street Fighter II surgiu no Japão, como a grande maioria dos jogos de videogame da época. E durante a criação do jogo, a japonesada lá de repente passou por um lapso de criatividade na hora de criar os chefões. Como disse, o espanhol afrescalhado parecia o cruzamento do vilão do Sexta-Feira 13 e o mutante de garras de adamantium. Com isso, provavelmente algum japa lá, após assistir as lutas de boxe norte-americanas de sábado à noite pela TV a cabo, teve a "brilhante" idéia de fazer um chefão aos moldes do lutador Mike Tyson.

O mordedor de orelhas já havia servido de personagem de videogame para outro jogo também, você deve se lembrar do Punch Out lá do Nintendinho, onde o Tyson era o chefão do jogo. Mostrando que a idéia dos desenvolvedores do Street Fighter II não foi assim tão original...


Nunca fui muito fã dos jogos de Nintendo... Na época, eu preferia jogar o jogo do Rocky no meu Master System, era muito mais legal jogar com o Garanhão Italiano e encher o B.A. de porrada. Até porque muitos jogos do console rival da SEGA eram meio babacas, incluindo esse jogo do Punch Out. O seu lutador era extremamente desproporcional em relação aos adversário, e era mais um jogo onde tentavam enfiar o Mario em qualquer lugar, aqui servindo de juiz da luta.

E pra completar, o seu técnico parecia o Murtaugh do Máquina Mortífera.


Pois muito bem, o personagem foi criado como uma representação do lutador de boxe mais famoso. Embora, se olhamos bem, vemos que as únicas semelhanças que remetem ao Tyson é o fato do lutador do jogo ser negro e boxeador. Sim, japoneses podem ter uma visão bem restrita e preconceituosa, ainda mais naquela época em que não havia a polícia do politicamente correto. Mas provavelmente alguém lá levantou essa questão, dizendo que o personagem criado era apenas mais um negão lutador de boxe, o que faria os jogadores perceberem que ele era uma homenagem/cópia do Mike Tyson.

E tiveram outra idéia brilhante: vamos chamá-lo de M.Bison!


Sim, imagino que todo mundo aplaudiu a grande sacada. Com o detalhe que o "M" era mesmo abreviação de Mike. 

Apenas para completar, o homossexual mascarado foi batizado como Balrog, o grandalhão caolho foi chamado de Sagat e o ditador recebeu o nome de Vega. Esse último, em homenagem a uma estrela, o que não deixava de ser meio escroto.

Bom... Street Fighter II começou então a construir a sua fama na terra dos olhinhos puxados. E não demorou para que a Capcom, produtora do jogo, tomasse a decisão de levá-lo para os States. Essa era a forma como funcionava (e ainda funciona, em alguns casos) quando o assunto é sobre jogos, em geral eles começavam no Japão e após um tempo muitos deles eram trazidos para terras ocidentais. Como de costume, os jogos passavam sempre por uma revisão que não se limitava a traduzir aqueles hieroglifos japoneses, mas também para ter a aprovação da censura mais rigorosa dos EUA. 


Lembrando que, na época, a Chun-Li, apesar de já andar com suas pernas de fora, não era tão sensualizada como vocês conhecem nos jogos mais recentes. Acho que durante alguma das versões do jogo ela deve ter feito implante de silicone...

Enfim, Street Fighter II a princípio não teve tantas diferenças que exigiram mudanças no jogo, apesar da porradaria que rolava solta: afinal, a censura norte-americana nos jogos só achava errado mulheres de pernas de fora ou decotes exagerados, violência gratuita tava tranquilo. Mas, aí alguém se deu conta de que havia um problema muito maior do que escutar as tias que achavam que videogame estragava a televisão e incentivavam maus valores para as crianças. O pior era ter que lidar com algum tipo de processo judicial sobre uso não-autorizado da imagem. Pois, afinal de contas, ninguém ali se lembrou de conversar com o Mike Tyson para saber se ele topava servir de exemplo para um lutador. Soma-se a isso que na época o jogador estava já metido em tribunais. Não me lembro por que motivo, embora convenhamos que motivo era que não faltava para esse que estava longe de ser um sujeito comportado.


Com medo de ter que lidar com os advogados do Tyson, ou até com ele mesmo, na adaptação do jogo para os Estados Unidos foi feito um ajuste dos nomes. Assim, o boxeador passou a ser chamado Balrog, a bichona de garra virou Vega e o chefão final se tornou M.Bison. Só o grandão Sagat que permaneceu com o mesmo nome original.

E assim ficou. Depois dessa mudança, vejo que recentemente a Capcom parece ter adotado essa nomenclatura como a oficial, embora ainda haja muita gente não apenas no Japão, que ainda defende a nomenclatura original, dizendo que ela é a correta.

Bom, opinião é que nem o orifício reto-furicular: cada um tem a sua. E na minha opinião eu acho que funcionou bem melhor dessa forma.

Começando pelo responsável pela zorra toda, eu penso que M.Bison ficava mesmo muito forçado... Tava na cara que era uma cópia descarada do Mike Tyson, e eu sempre achei esses nomes ligeiramente parecidos com o original uma coisa escrota demais. Fazer um personagem que visualmente lembre alguém famoso, vai lá, até aceito. Tipo, inúmeros lutadores chineses que são cópias do Bruce Lee, como o Fei Long do próprio Street Fighter ou o Liu Kang do Mortal Kombat. Mas fazer um nome praticamente igual... Aí eu acho que fica meio forçado. Tipo, criar um personagem chamado Chuck Morris. Sinceramente, um boxeador chamado Mike Bison ficava muito escroto.


Ficou melhor algo como Balrog. Esse nome passa uma idéia de um brutamontes, de alguém de muita força física e pouco cérebro, como imagino ser o boxeador desse jogo. Até mesmo aqueles que forem mais pela linha da fantasia do Senhor dos Anéis, esse nome era usado para um monstrengo. Mudança acertada na minha humilde opinião.

E Balrog era um nome que não se encaixava bem para o personagem abaixo.


Sério. Você olha esse sujeito, com essas garras de boiola, essa mascarazinha gay pra proteger o rosto, toda essa pinta de viado... Balrog é um nome que não tinha nada a ver como ele(a). Podem me chamar de homofóbico, mas é indiscutível que esse é um dos maiores exemplos de um afeminado ao extremo, fresco que nem uma fruta silvestre, um leite com pêra. Mais um daqueles exemplos de como os japoneses sempre precisam colocar nos jogos e desenhos algum personagem alternativo que ultrapassa o limite do andrógino, sempre tem um sujeito que tem toda a pinta de mulher mesmo. Como aquele cavaleiro do zodíaco de armadura rosa. Que mesmo assim não é tão bicha como esse aí.

Por sua vez, Vega ficou melhor também, encaixou de forma mais legal nesse sujeito (com trocadilho, por favor). Pra começar, é um nome que parece mesmo ser de origem hispânica, o que faz mais sentido para um lutador espanhol. E em segundo lugar, parece mesmo um nome que um fresco que mais parece um traveco usaria, é um nome mais aboiolado.

E justamente por isso o nome Vega não ficava legal para um chefão final de um jogo. Ainda mais considerando que ele tem a pinta de um ditador cretino e que faz todos os seus inimigos se cagarem nas calças. Como comentei acima, os japoneses quiseram inicialmente fazer alguma inexplicável referência do nome do chefão do jogo a uma estrela que tem aí no espaço, coisas dos orientais que inventam essas associações com astrologia e etc. E que certamente não ia fazer muito sentido para os jogadores americanos.


Aí pra ele sobrou o nome do boxeador, e com isso o chefão do Street Fighter passou a ser chamado de M.Bison. E agora significado do "M" passou a ser uma incógnita, ninguém nunca soube explicar o que ele queria dizer, embora a molecada do fliperama o chamava de Mr. Bison. Independente do significado da letra, esse nome também ficou muito mais ameaçador, digno de um chefão final. Melhor que Vega, que como já disse, é um nome meio afrescalhado.

Bom, acho que ficou bem claro que na minha opinião todas as mudanças de nomes dos chefes do Street Fighter foram acertadas. Em todos os três casos, ficou muito mais a ver com o visual e o perfil de cada um dos lutadores, muito mais legal. Não faltam exemplos de mudanças de nomes de personagens nas versões japonesas e ocidentais dos jogos, mas sem dúvida aqui no Street Fighter isso marcou bastante. 

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom... No caso do chefão do quepe, pelo rosto e olhos macabros, deveria ser dele o nome Balrog, visto a representação do Balrog do Senhor dos Anéis. O rosto de ambos são parecidos...

Logo, essa seria a sequência correta (e é na minha opinião):

M. Bison (boxeador)
Vega (garra)
Sagat
Balrog (general)

Texugo disse...

Faz um pouco de sentido sim... Pro chefão sim, eu acho que até rolaria, mas não sei se uma influência do Senhor dos Anéis seria legal num jogo de luta, sem falar de um possível processo.

Porém, eu pessoalmente não acho muito legal a jogada do boxeador como M.Bison. Como escrevi, muita apelativa a reprodução do Tyson.

Enfim, mas opinião cada um tem a sua, obrigado pela visita.